Catulo, poeta romano que viveu entre os anos de 84 e 54 antes de Cristo. Sua obra poética é marcada pela sofisticação e irreverência que foram assomados a uma sintaxe chamada de incomum, pois utilizava frases cortadas, repetições e versos ligeiros. Catulo utilizava, ainda no âmbito da linguagem, expressões e palavras coloquiais.
Sua tradição literária está ligada aos poetas alexandrinos, em que relatava, nesse tipo de versos, seus sentimentos pessoais. Com uma poesia de amor elegante e sincera, ele foi o iniciador da lírica erótica em Roma. Sua obra é composta, ainda, de mais de cem poemas, em que uma grande parte foi dedicada à paixão que sentia por Lésbia, mulher cujo seu coração pertencia.
(Poema 87)
Mulher alguma pode afirmar ter sido tão
sinceramente amada quanto, minha Lésbia,
tu foste por mim amada. Fidelidade alguma
tão grande houve em algum juramento de amor
quanto de minha parte se encontrou
na de meu amor por ti.
A crença de que seu trabalho seja bastante autobiográfico é advinda, pois é possível encontrar no corpo de seus textos homenagens ao seu grande amor e, também, a morte do seu irmão. Era tido como um boêmio e inquieto, pois era privilegiado por uma família afortunada, dedicando-se, assim, aproveitar completamente a vida.
Ele foi associado aos chamados “poetae novi”, que, segundo Cícero, foram os responsáveis pela modernização da poesia em Roma. Esse tipo literatura representou, ainda, um rompimento com a forma de fazer poesia herdada de Homero. Seus poemas podem ser, grosso modo, divididos em dois seguimentos: poemas de amor, em que são tratados, em um temperamento emotivo, as contradições de amor e ódio a Lésbia; e a poesia satírica, em que, com uma força violenta e obscena, ele trata ex-amigos, outros amantes de Lésbia, poetas exteriores ao seu grupo e políticos. Apesar de apresentar um caráter violento e despojado, seus versos são imbricados de uma refinada ironia.
A garota de programa Ameana, entrando, se dirige a Catulo
(Poema 41)
Ameana, garota já por tantos possuída,
Exigiu de mim exatamente dez mil sestércios,
Aquela garota de nariz bastante feio,
A amiga do falido de Fórmias.
Parentes, que com esta garota estais preocupados,
Convocai os amigos e os médicos;
Ela não está bem de saúde.
Não me pergunteis em que estado ela está:
Vive cheia de fantasias.
É possível, ainda, perceber poemas campestres, em que ele se volta aos relatos casa de campo familiar de Sírmio, bem como os poemas em que ele celebra os amantes e amigos. É possível, ainda, perceber que Catulo, sendo o único dos “poetae novi” que tiveram os seus trabalhos até o dia de hoje, a presença de uma reverencia a poetas gregos como, por exemplo, Safo e Arquíloco, que pode ser percebido nos poemas direcionados a amada Lésbia, como uma menção à ilha de Lesbo, de onde Safo era natural. Outro ponto podem ser a rima eólica, que já havia sido utilizado pela poetiza.
(Ode 31 ) de SafoIgual aos deuses me parece aquele
Que defronte de ti se assenta, e te ouve
De perto docemente conversando,
Docemente sorrindo
Inda no peito o coração me assombra,
Que depois que te eu vi, jamais me veio
Voz alguma à garganta, antes quebrada
A língua se entorpece,
Eis já de veia em veia sutil fogo
Lavrando vai: c'os olhos nada vejo;
E sinto contínuo em meus ouvidos
um túrbido zumbido.
Geladas bagas por meu corpo correm,
Um frígido tremor me toma toda;
O rosto amarelece, e quase morta
Nem respirar já posso.
(Poema 51) de Catulo
Ele parece-me ser par de um deus,
ele, se é fás dizer, supera os deuses,
esse que todo atento o tempo todo
contempla e ouve-te
doce rir, o que pobre de mim todo
sentido rouba-me, pois uma vez
que te vi, Lésbia, nada em mim sobrou
de voz na boca
mas torpece-me a língua e leve os membros
uma chama percorre e de seu som
os ouvidos tintinam, gêmea noite
cega-me os olhos.
O ócio, Catulo, te faz tanto mal.
No ócio tu exultas, tu vibras demais.
O ócio já reis e já ricas cidades
antes perdeu.

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